Hérnia de Disco: Nem Sempre a Cirurgia é Necessária

Entenda quando a cirurgia realmente é indicada e quais pacientes podem se beneficiar de um tratamento individualizado.

Existe uma situação que se repete com muita frequência no meu consultório.

Recebo pacientes que chegam dizendo:

“Doutor, me disseram que tenho uma hérnia de disco e que preciso operar, mas gostaria de saber se realmente não existe outra opção.”

Outros chegam com a cirurgia já marcada e procuram uma segunda opinião antes de tomar essa decisão.

Também existem aqueles que convivem com dor há meses ou anos e querem entender por que ainda não conseguiram melhorar.

Em comum, todos carregam a mesma dúvida: a cirurgia é realmente necessária?

Na minha experiência como especialista em Intervenção em Dor, a resposta é: nem sempre.

Isso não significa que a cirurgia deva ser evitada. Pelo contrário. Quando bem indicada, ela pode transformar a vida de um paciente.

Mas também é verdade que muitas pessoas conseguem controlar a dor, recuperar seus movimentos e voltar às suas atividades sem precisar passar por um procedimento cirúrgico.

O mais importante é entender se aquela hérnia realmente explica os sintomas e qual é a melhor estratégia para cada caso.


O que é uma hérnia de disco?

Nossa coluna é formada por vértebras separadas por discos intervertebrais, estruturas que funcionam como amortecedores naturais.

Com o passar dos anos ou após determinados esforços, esses discos podem sofrer desgaste ou pequenas rupturas.

Quando parte do seu conteúdo se desloca para fora da posição habitual, chamamos essa alteração de hérnia de disco.

Dependendo da sua localização, ela pode irritar ou comprimir uma raiz nervosa, provocando dor, formigamentos, perda de sensibilidade ou diminuição da força.


Nem toda hérnia de disco é a causa da dor

Esse é um dos conceitos mais importantes que procuro explicar aos pacientes.

É muito comum encontrar pessoas que possuem hérnias na ressonância magnética e nunca sentiram dor.

Da mesma forma, pacientes com pequenas hérnias podem apresentar sintomas bastante intensos.

Por isso, durante a consulta, não procuro tratar apenas a imagem da ressonância.

Meu objetivo é descobrir se aquela hérnia realmente explica o quadro clínico apresentado pelo paciente.

A medicina moderna trata pessoas, não exames.


Quais são os sintomas mais comuns?

Os sintomas variam de acordo com o nervo acometido.

Os mais frequentes são:

  • Dor na região lombar ou cervical.
  • Dor irradiando para a perna (ciática) ou para o braço.
  • Formigamentos.
  • Dormência.
  • Sensação de choque.
  • Redução da força muscular.
  • Dificuldade para caminhar ou permanecer muito tempo sentado.

Cada paciente apresenta uma combinação diferente desses sintomas.

Por isso, uma avaliação individualizada é fundamental.


Quando a cirurgia realmente é indicada?

Essa talvez seja a pergunta mais importante.

A cirurgia costuma ser indicada quando existe:

  • perda progressiva da força muscular;
  • comprometimento importante dos nervos;
  • alterações no controle da urina ou das fezes, que representam uma urgência médica;
  • dor incapacitante que permanece mesmo após um tratamento bem conduzido;
  • limitação importante da qualidade de vida.

Fora dessas situações, muitos pacientes podem ser tratados sem cirurgia.

Cada decisão deve ser tomada de forma individualizada.


Como costumo conduzir esses casos?

Na minha prática clínica, procuro entender por que aquele paciente está sentindo dor.

Nem sempre o problema está apenas na hérnia.

Muitas vezes encontro alterações musculares, inflamações, sobrecarga das articulações da coluna ou um sistema nervoso extremamente sensibilizado pela dor persistente.

Quando identificamos corretamente a origem dos sintomas, conseguimos construir um plano de tratamento muito mais direcionado.


Procedimentos minimamente invasivos

Dependendo da avaliação, uma das opções é utilizar procedimentos guiados por ultrassom.

Bloqueios analgésicos e infiltrações permitem tratar com precisão nervos e estruturas inflamadas, reduzindo a dor e facilitando a recuperação da função.

O objetivo não é apenas aliviar o sintoma naquele momento.

O objetivo é criar uma oportunidade para que o paciente consiga voltar a se movimentar com mais conforto e segurança.

Cada procedimento possui indicações específicas e só faz sentido quando existe um diagnóstico bem estabelecido.


Medicina regenerativa

Em alguns pacientes, terapias regenerativas também podem fazer parte da estratégia de tratamento.

Recursos como o Plasma Rico em Plaquetas (PRP) ou o Aspirado de Medula Óssea podem ser considerados em situações selecionadas, sempre após uma avaliação criteriosa.

Essas terapias buscam estimular os mecanismos naturais de reparo do organismo e complementar o tratamento quando existe indicação clínica.


Movimento faz parte do tratamento

Existe outra crença muito comum.

“Tenho hérnia de disco, então preciso evitar qualquer movimento.”

Na maioria das vezes isso não é verdade.

O repouso prolongado raramente representa a melhor estratégia.

Depois que conseguimos controlar a fase mais dolorosa, meu objetivo é que o paciente volte gradualmente às suas atividades.

Quando ele já realiza acompanhamento com fisioterapeuta ou educador físico, encaminho todas as orientações necessárias para que essa evolução aconteça de forma integrada e respeitando as características do seu caso.


Mudanças no estilo de vida fazem diferença

Nenhum procedimento consegue substituir hábitos saudáveis.

Durante o acompanhamento também conversamos sobre fatores que influenciam diretamente na recuperação.

Entre eles:

  • melhorar a qualidade do sono;
  • controlar o estresse;
  • manter uma alimentação equilibrada;
  • abandonar o tabagismo;
  • controlar o peso corporal, quando necessário;
  • manter uma rotina regular de atividades físicas.

Essas mudanças costumam potencializar os resultados do tratamento e ajudam a reduzir o risco de novas crises.


O maior erro é tratar apenas a ressonância

A ressonância magnética é uma ferramenta extremamente importante.

Mas ela mostra apenas parte da história.

Ela não informa:

  • como aquela dor interfere na vida do paciente;
  • como está sua força muscular;
  • como está sua mobilidade;
  • como está seu sono;
  • como está seu condicionamento físico;
  • quais estruturas realmente estão gerando dor.

Por isso, acredito que o tratamento começa muito antes de qualquer procedimento.

Ele começa com um diagnóstico cuidadoso.


Perguntas Frequentes

Hérnia de disco sempre precisa de cirurgia?

Não. Grande parte dos pacientes melhora com um tratamento individualizado e não necessita de cirurgia.

A hérnia pode diminuir com o tempo?

Sim. Em alguns casos, o próprio organismo pode reduzir naturalmente o tamanho da hérnia ao longo dos meses.

Quem tem hérnia pode praticar atividade física?

Na maioria das vezes, sim. O retorno deve acontecer de forma gradual e orientada, respeitando as características de cada paciente.

O tamanho da hérnia determina a intensidade da dor?

Não. Hérnias pequenas podem causar sintomas importantes, enquanto hérnias maiores podem permanecer assintomáticas.


Como posso ajudar?

Se você recebeu o diagnóstico de hérnia de disco, já foi orientado sobre a possibilidade de cirurgia ou simplesmente deseja entender melhor quais são as opções de tratamento para o seu caso, será um prazer poder ajudá-lo.

Cada paciente possui uma história diferente e nem toda hérnia precisa ser tratada da mesma forma. Antes de qualquer decisão, acredito que o mais importante é compreender se aquela hérnia realmente é a responsável pelos sintomas e quais estratégias podem ajudar a controlar a dor e recuperar sua qualidade de vida.

Se esse é o seu momento, conte comigo para avaliar seu caso, esclarecer suas dúvidas e construir um plano de tratamento individualizado, baseado no seu diagnóstico, nas suas necessidades e nos seus objetivos.

Dr. George Augusto | Ortopedia e Traumatologia – CRM 13269-CE/ RQE – 11122 Especialista em Dor Crônica e Reconstrução Óssea. Com mais de 1.000 cirurgias realizadas e membro da SBOT e ASAMI, é referência em tratamentos ortopédicos avançados e medicina regenerativa em Sobral e região.